Há milénios desenvolveu-se no oriente uma doutrina que relaciona uma energia com todas as coisas existentes. A esta energia os chineses deram o nome de “CHI”, os japoneses, “KI”. Podemos definir o Ki como Força Vital ou Essência Vital da pessoa, que está presente em animais, plantas e todos os seres vivos. Na filosofia chinesa, originalmente o Chi era aquilo que diferenciava as coisas com vida das coisas sem vida.
Tudo é energia. A s formas são apenas maneiras sob as quais a energia se apresenta. As teorias da Físaica e da Química modernas têm vindo a confirmar esta teoria oriental. O facto de não a percebermos não quer dizer que não exista, pois sem ela não existiria vida. Também não vemos as emoções, mas pelo facto de senti-las não duvidamos da sua existência. O mesmo se passa com o pensamento. O Ki não se vê ou se acredita. Sente-se.
Segundo o pensamento oriental, no começo sem começo, o universo infinito não se manifestava como fenómeno, era UNO. Nesta Unidade não havia movimento nem futuro, nem qualquer fenómeno relativo. Esta Unidade cindiu-se formando duas espirais de energia, dois princípios opostos que iam da periferia para o centro e do centro para a periferia, gerando duas forças primárias: uma centrípeta, contractiva, denominada Yin, e outra centrífuga, expansiva, denominada Yang.
Sendo Yin e Yang os elementos primordiais do universo, possuem inúmeras qualidades sendo, em conjunto, a base de todo o universo, o princípio da criação de todas as coisas, a raíz e a fonte da vida e da morte.. Todos os fenómenos existentes no universo são regidos por estas duas forças, forças que são antagónicas e complementares entre si.
Yin e Yang, termos cuja tradução fiel é praticamente impossível, são simultâneamente vagos para o pensamento ocidental e extremamente precisos para a filosofia Taoísta, caracterizando Yin toda a inactividade e Yang todos os princípios activos da existência. A teoria Yin-Yang representa, pois, a Lei Universal governando os mundos material e imaterial.
Para melhor se compreender o dualismo Yin-Yang, referem-se alguns dos seus inúmeros atributos:
Yin Yang
noite dia
escuridão claridade/ luz
Inverno Verão
frio quente
humidade secura
interior exterior
anterior posterior
mulher/feminino homem/masculino
repouso/passivo actividade/activo
negativo positivo
água fogo
Lua Sol
Terra Céu
pesado leve
repressão liberdade
inibição estimulação
défice excesso
contractilidade expansão
introversão extroversão
Observando o símbolo YIN - YANG.
Nada é puramente Yin ou Yang. A descriminação entre os dois é artificial. Tudo o que existe contém tanto o princípio Yin como o Yang.
Há sempre Luz na escuridão ( as estrelas à noite).
A pedra mais dura é susceptível de ser quebrada.
São opostos e complementares, não podendo existir isoladamente.
Yang é associado ao homem e Yin à mulher: Yang não poderia desenvolver-se sem o Yin; o Yin não poderia dar origem a um novo ser sem o Yang.
Ambos, Yin e Yang contêm a semente do seu contrário, em graus variados e várias combinações possíveis: dentro do Yin claro está contido o Yin escuro, e dentro do Yang escuro está contido o Yin claro.
A temperatura pode ser quente ou fria. Mas quente pode ser morno ou escaldante, e frio pode ser fresco ou gelado.
Tal como a água (Yin) e o fogo (Yang) são neutros em si próprios, todas as coisas podem ser boas ou más, com efeitos relativamente benéficos ou prejudiciais, os quais dependem unicamente do seu dualismo relativo.
Yin e Yang consomem-se e suportam-se. Quando um aumenta, o outro diminui. Um excesso de Yin implica uma deficiência de Yang e vive-versa. O excesso de Yang força o Yin a estar mais concentrado.
Não são estáticos, mas em permanente movimento. Yin e Yang contêm em si a semente do seu contrário. Num estágio particular, quando existe uma sobrecarga de um dos princípios, está prestes a haver uma transformação no princípio oposto.
Como à noite sucede o dia, também ao dia se segue a noite.
A saúde contém as sementes da doença, e a doença as sementes da saúde.
A riqueza pode transformar-se em pobreza, e a pobreza em riqueza.
O termo e o começo são indistintos nas suas origens, pelo que o início de algo pode ser considerado o fim de outra coisa, ou o fim de uma coisa a origem da seguinte.
Compreende-se assim o dinamismo de Yin-Yang como princípios opostos e complementares, interdependentes,interactuantes e de suporte recíproco, dentro da estrutura ternária céu-homem-terra.
Yin e Yang têm uma natureza cíclica. Nenhum dos princípios domina permanentemente sobre o outro, o domínio é temporário. Cada um dos opostos produz o seu contrário, o que ocorre cíclica e constantemente. A natureza cíclica de Yin e Yang significa que a realidade é fluida e em constante mutação, num movimento incessante.
Nada existe no seu estado absoluto. O oposto pode não se mostrar presente: é a “presença na ausência”. Toda e qualquer condição nunca é definitiva, está sujeita a mudança, num eterno devir.
Na Medicina Tradicional Chinesa, o Homem é um microcosmo e, como tal, as leis cósmicas, do macrocosmo, actuam nele como o fazem na natureza. Ele tem as suas variações de energia com os seus próprios movimentos e ciclos. Daí a abordagem holística do corpo humano (o corpo como um todo em permanente sinergia).
De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa, cada órgão ou tecido tem características essencialmente Yin ou Yang. Independentemente da sua natureza Yin ou Yang, é constituído por um elemento Yin e um elemento Yang. Enquanto as estruturas histiológicas e as substâncias orgânicas são Yin, as actividades funcionais (fisiologia) pertencem ao elemento Yang.
Yin regula a actividade dos órgãos Zang, que se encarregam da depuração, redistribuição e armazenamento do Chi e das substâncias fundamentais (sangue e fluidos corpóreos). Yang regula a actividade dos órgãos Fu, responsáveis pela produção de energia, recepção, digestão de alimentos, condução e excreção de resíduos.
Uma situação patológica é sempre resultado de uma ruptura do equilíbrio harmoniosos Yin-Yang, desarmonia e/ou interrupção do fluxo de energia, Chi, provocadas ou por deficiência ou por excesso.